terça-feira, 23 de junho de 2015

Colocamos nossa máscara?



Por essa minha curta, porém longa estrada eu vi muitas coisas... Mas o que eu percebi de mais precioso e mais interessante é que o palco é o lugar onde você mais consegue ser você mesmo, integralmente. Sim, o palco. O único lugar, inclusive. Pasmem.

- Quem sobe em cima do palco, sobe para representar.

“Ah, mas então como você consegue ser você mesmo, personificando outra?”

E eu te digo: em cima do palco é o único lugar onde você consegue ser você mesmo, mesmo dando vida à um personagem, que, ao bater o olho, não é você.

Ao longo desses anos todos, eu vi muitas pessoas, indo e voltando. Passando para lá e para cá. Passando por minha vida. Às vezes ficando, às vezes voltando, ou até indo e não voltando nunca mais. E eu notei algo semelhante em todas elas, inclusive quando me olhei no espelho. Utilizamos máscaras, na maioria de nosso tempo.

Sentimos dor, mas engolimos, em função de orgulho.  Colocamos nossa máscara? Sentimos alegria, e muitas vezes temos medo de externar totalmente... Colocamos nossa máscara? Sentimos prazer em pequenas coisas, e por ora temos receio de passar a alguém, por vergonha do desprezo... Colocamos nossa máscara?

Quantas vezes nós não deixamos de passar o nosso sentimento verdadeiro? Quantas vezes nós colocamos nossa máscara? Quantas vezes o sorriso frouxo tomou conta do choro incontrolável que queria sair do nosso peito? Quantas vezes o silêncio tomou conta na hora em que mais queríamos falar?

E no palco? O que fazemos no palco?

- Recebemos um papel sem importância, cheio de linhas para decorar? Temos que dar uma pesquisadinha aqui, ou ali, para construir um personagem? Temos que fazer entrar dentro de nós um outro alguém? Fazer caras e bocas? Simples...

Acho que não. Nada que envolva sentimento é tão simples assim, principalmente se esse sentimento é verdadeiro.

Volto a dizer. É em cima do palco que, através de voz e corpo, são dispostos os sentimentos mais puros e verdadeiros. A nossa “máscara” se torna verdadeira.

Você precisa se despir de qualquer rótulo, de qualquer peso, de qualquer coisa e deixar transparecer os sentimentos que são formados lá do fundo do seu ser. Você precisa sentir. Sentir... Sentir... A essência é sentir.

Você precisa sentir alegria, para esbanjar-se dela. Você precisa sentir certa angústia, para transmitir tristeza, uma frieza, ou solidão, pelo olhar... Envolvimento verdadeiro, de coração, deixando aflorar o que você tem de mais verdadeiro dentro si, para “calçar a máscara” de cada personagem. Entrega. Entrega 100%... 100% entrega...

Mas quando chega ao final, você sabe que colocou tudo aquilo ali para fora e está pronto novamente, para uma nova missão. Para um novo abrir de cortinas...


E aí, você vai continuar me dizendo que o palco é só lugar de representações? Onde a gente mais representa? Em cima do palco, ou na própria vida?

#88

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Meu respirar

Me perguntaram:
- Por quê? Por quê a arte?
E um silêncio tomou conta de mim
Sem fim.
E no silêncio eu também me perguntei.
Como sempre, o silêncio é muito bom para refletir.
(Suspiro)
Foi então que tantas lembranças Boas
Passaram por minha cabeça
Desgaste, preparação, espetáculo
A cortina se abrindo, a cortina se fechando,
Mas apenas por um instante.
Porque eu sabia que eu ia voltar
Eu sabia que eu ia voltar.
Lembrei também das fotos, gestos e afetos.
Que marcaram um tempo.
E então eu sorri.
E a felicidade tomou conta de mim novamente.
Sabe, entender sobre esse mundo vai muito além da teoria.
Não existe mágica... ou será que ela existe?
(Pausa)
Por isso eu peço, por favor.
Se você o tem, mostre seu amor
Aquele que vem de dentro da gente
Aquele que só a gente sente.
Hoje em dia está muito escasso,
Há um grande descaso,
Mas não deixe que isso te impeça de voar.
Se você ama,
Mostre em seu cantar,
Mostre em seu dançar,
Mostre em seu atuar.
Sofra, chore, ria.
Respire...
Mas viva intensamente
E inteiramente.
Porque maior artista,
Isto é,  que faz arte,
É aquele que sente com o coração,
E reproduz com a voz e o corpo,
Os desejos da alma.

#86