segunda-feira, 24 de março de 2014

Acenando...


Eu não sei bem se passa
Ou não
Mas dessa praça
Perdi meu chão.
Foi-se...

Disse que ia ali,
Mas voltava.
Beijou-me a testa
Contornou-me com teus braços
Abraço.
Deu meia volta
E sumiu no horizonte.
Isso foi ontem,
Há algum tempo.
Foi-se com o vento,
Naquela praça,
Em meio a massa...
Hoje choro,
Mas tudo passa.
#68


quinta-feira, 20 de março de 2014

"Falador passa mal, rapaz!"


Essa sociedade!
Até quando vão nos impor limites?
Até quando vão nos impedir de voar?
Ou simplesmente sonhar?

Pessoas te julgam a todo momento,
Sem saber do teu pensamento.
Eles te prendem pelo que você é
E você tem medo do viver.

Ai eu me pergunto:
- Por que ter um preconceito?
Todos tem direito de viver
Da maneira que bem escolher.
Por que ao invés de acusar?
Tu não tentas entender?

Conquistamos a liberdade.
Uma salva de palmas!
Liberdade falsa, liberdade nula,
Então pare de se cobrar por essa "tal de sociedade!
E não abaixe a cabeça para nenhum filho da p[...].
#65

terça-feira, 18 de março de 2014

Confinamento próprio


Me tortura sem saber.
Me tortura de tal forma
Mesmo sem querer.
(Ou por querer
Prefiro acreditar que não)
Elas coçam...
Preciso amarrar minhas mãos
Saber dizer um não.
Mas meu corpo vai
Minha mente vai
Minhas palavras saem
E eu mal posso responder por mim.

Quanto mais,
Você dizer que sim.
(puff)
#65

quinta-feira, 13 de março de 2014

atrás não traz


Éramos ímpar
Hoje somos duas
Duas estradas, dois caminhos,
Saindo da estaca zero.
Olhar para trás, sentimentos
Opostos, postos em cheque
Mas prefiro assim
Você ai
E eu aqui
E deixe que eu cuido de mim.

#64

Maybe


E de repente tudo está indo tão bem...
Bem do jeito que eu não queria.

E é assim que eu me sinto
Não sentindo nada
Nada além de tudo que eu já sinto.

E é como não lembrar
Daquilo que eu jamais quis dizer
Que não queria recordar.
Poque, por mais que seja mau,
Memórias, lembranças, o caminhar
Sempre se tem algo a deixar.
Não pode esquecer,
Mas sem querer reviver.

Mas sinto medo,
Aquele medo de já não mais sentir medo
De já não sentir aquele frio na barriga
Porque se é esse o sentido,
E se não se sente
Perde-se o sentido, proporcionalmente

E de repente tudo está indo tão bem...
Bem do jeito que eu não queria.

Talvez não seja só isso
Talvez não seja o eixo
Talvez não deva ser o foco
Talvez não seja o centro
Talvez, talvez, talvez

É só relativismo
Do que a alma sente e pressente
Do que o coração mente
E acaba com a gente.
Com o que que deveria ser
Realmente,
No presente.
#63

quarta-feira, 12 de março de 2014

Não é necessário


O dom de não saber me descrever
nem em linhas, largas, falas
nem em línguas, meras palavras
Apenas um poço de interrogação
Apenas um cantinho de ilusão
Com um toque de esperanças
Tal como aquelas, de uma criança
Vontade de ter asas, e voar, pra bem longe, e apenas observar, tudo, tudinho la de cima, de uma visão diferente, a qual eu nunca enxerguei. Talvez por ser um pouco egoísta e orgulhosa, quero enxergar apenas o que é visível aos olhos, e "sentível" pelo coração, e esqueço-me da real essência. Agitada como sou, tenho tido paradas constantes e repentinas, ao longo dos dias. Tenho cansado fácil, querendo apenas encostar, talvez em uma parede qualquer para que eu não perca o equilíbrio - ou só encostar no teu colo, já basta! - ... Essas pausas, acabam comigo, os ombros pesam, a cabeça pesa. Irritada, um pouco. Grossa, também. Mas isso é só reflexo das energias negativas que eu mesma deposito em algo que não se saiu como eu queria. Eu tiro exemplos, e faço bom proveito das coisas ruins que me acontecem, ou passam pela cabeça, com certeza, pois acredito que são delas mesmas que se saem "boas morais da história", porém é inevitável minha "fúriazinha" e acabo descontando até em quem não tem nada a ver com a história. Emburro. Minha estupidez também deve-se ao fato de muitas vezes ser mandona e turrona, principalmente quando eu tenho plena certeza da razão. Quando não a tenho, a persuasão entra em jogo, o que depende muito da situação também, e das pessoas. Porque umas colam, outras, não adianta nem pensar em tentar. O olho no olho, conta muito. A linguagem corporal é elemento fundamental. E ao mesmo tempo que ela me ajuda, ela me denuncia, por muitas vezes. Tá faltando treinamento para a saída de situações que acontecem de repente, para a resposta de perguntas diretas e inconvenientes, feitas por pessoas inconvenientes ou stalkers. Para me livrar de tudo, fugir um pouco do mundo, escrever e dançar são essenciais. Eu diria ouvir música, mas muita música só me faz voltar, tenho uma memória fotográfica muito boa, porém fálica. Sim, consegue, ela consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo. E por quê? Porque ela poderia me ajudar mais, por exemplo, na hora de uma prova, e esquecer-se quando ligo a música e só quero relaxar em minha cama... Os pensamentos vêm. Pensamentos desorganizados, assim como meu guarda-roupa, e a vida (?). É certo que a medida em que você vai amadurecendo um pouco, você vai se tornando um pouco mais organizada. No meu caso, em partes. Mas eu consigo me entender, em partes, em acho. Gosto das coisas do meu jeito, mas também sei ouvir. Talvez por ouvir demais, acabo por pensar em mim de menos, mas isso também não me faz ser menos egoísta. E não sei se isso é considerado defeito, ou qualidade. Minha ansiedade me afeta, tanto emocionalmente como fisicamente. Ou diria que o emocional reflete no físico. Uma porque minha ansiedade por muitas vezes me deixou em situações onde não tive o controle do meu corpo, bem antes mesmo da tal situação. O dia se torna longo. Outra porque, nessa de ser ansiosa, desconto em massas, doces e afins. Venho sentindo o reflexo disso, já não é mais fase de crescimento, e sim de expansão. Ansiedade me define. Mentira, parte de mim. Boa parte. Sei que sou uma contradição ambulante e não sei se isso é bom ou ruim. "Um sentimento chamado, 'não sei, acho que sei lá, não tenho certeza'".
- Pronto, descrevi, quase sem querer. -
Ou não, com certeza não...
Tolice pensar assim, isso é só o início. Acredito que eu tenha muito mais aqui guardado, muito mais a ser passado, muito mais a ser mostrado. Porém, nem sei quantas palavras e linhas seriam necessárias, ou se só uma palavra bastaria. Nem tento entender, não tenho esse dom. Talvez um dia qual eu consiga me compreender, para depois me descrever. É... só assim... E provavelmente sei bem qual será esse dia.
Nunca...
E por incrível que pareça, eu gosto assim.
#62

segunda-feira, 10 de março de 2014

Perfeição


Sorriso, olhar e voz... E eu não preciso de mais nada, se os três elementos casarem, eu caso de enamorada. Sorriso, sim, porque para mim, é a curva mais linda, a mais perfeita, que alguém possa ter. O sorriso, esconde e revela coisas, ao mesmo tempo. Sorriso de canto da boca, mostrando as covinhas. Sorriso sem graça, sem praça. Sorriso de quem acaba de receber uma notícia boa. Sorriso, que quase sempre, entre as lágrimas, que vem para quebrar. Sorriso, seguido de uma gargalhada. Dois sorrisos, que juntinhos, pertinhos, se confundem um com o outro. Exclusivamente, aquele sorriso. Olhar, aquele, por cima do óculos, aquele também depois do ósculo, ou erguendo uma sobrancelha, mau, ótimo. Olhar, sim, porque pelo olhar enxerga-se a alma, por isso não dispenso uma conversa cara a cara, ali, presente. Exclusivamente, aquele olhar. Ah, e a voz... Ah... a voz. Não tem palavras que definam, uma boa voz. Principalmente aquela voz, brava, ou irônica. Aquela voz de quem quer mandar. E ao mesmo tempo, aquela voz macia, que te afaga. Aquela que te faz pedidos. Aquela que fala baixinho ao pé do ouvido. Aquela voz, aquele tom, as vezes rouca. Exclusivamente, aquela voz. 
Sorriso, olhar e voz... E eu não preciso de mais nada, se os três elementos casarem, eu caso de enamorada. Mas cadê? Me pergunto. Está bem ali, ou lá... depende do grau de otimismo. Queria poder dizer que o copo está meio cheio. Mas também não consigo para de fazer tempestade no mesmo copo.
#61

terça-feira, 4 de março de 2014

Sessentar


Sessenta
meia zero
Sessenta anos
Sessenta coisas para fazer
Sessenta dias sem chuva
trinta mais trinta
sessenta de quinta.
Cê senta e espera,
espera que aumenta
e acha que aguenta.
Cê senta e espera,
tende a piorar
quanto mais demorar.
E não vai mudar
nem voltar a ser como era.
Não adianta esperar...
#60

segunda-feira, 3 de março de 2014

Contrários-soirártnoC

É seco, é molhado
"Tô longe"; "Tô do lado"
Disposição; exaustão
Sonho; Realidade
Mentiras e verdades
Cérebro, coração...
"Tô com fome"; "Tô cheia"
Choro; Riso
Lágrimas; Sorriso
"Em pedaços"; "Por inteira"
Nojo; Beijo
"No breu, eu te vejo"
Com sono; Êxtase
"Querer não querer"
Frio e Calor
Ódio; Amor
Raiva; Carinho
Feliz; Sozinho
Repulsa; Abraço
Longe; Amasso
Ignorância; Compreensão
Rancor... Compaixão.
E assim como Camões,
Me sinto assim
Tim tim por tim tim
Paradoxo sem fim.
#59

domingo, 2 de março de 2014

Encéfaerro


Na minha aula de fisiologia, me peguei brisando em um curto fio de tempo. Falávamos sobre impulsos nervosos: de onde saem, para onde vão e onde atuam. É incrível, nosso corpo é feito milimetricamente perfeito para que funcione bem. Cada veia que transporta as minúsculas partículas de diversos nutrientes para que os trilhões de, também minusculas, células possam se manterem vivas, e nos manterem em pé, coincidentemente, vivendo. Cada neurônio com sua sinapse (umas afetadas, outras funcionam até demais de bem, mas nada de errado nisso), para mandar seus impulsos, para com que tudo se mova, indo para seu caminho certo, e fazendo tudo funcionar. E geralmente, quando quero levantar um braço, mexer uma perna, sou eu quem mando o comando para meu cérebro e este, em fração de segundos, faz a reação. Então pensei: de onde vem as emoções? Qual parte é essa que eu não tenho autonomia, que controla minhas emoções? Eu não escolho sentir. Fome, sede. Frio ou calor. Ódio ou amor. Tudo bem que eu não penso em piscar, de minuto em minuto, e meu corpo mesmo assim o faz. E meu coração bate, sem que eu precise pensar todos os segundos. Então...
Coração? Seria essa a parte? - Não, apesar dele disparar descontroladamente. - Estômago? - Não, mesmo o próprio me dando sintomas desenfreados. A pele.(?) - Negativo. Só porque ela demonstra com os arrepios? 
O cérebro.
Cérebro, sempre ele. Ele é o manda-chuva, parte do cérebro todas as ordens para que nosso corpo se locomova, sinta, reproduza, funcione... Tato, visão, paladar, olfato, audição... Já disse. Eu disse ser perfeito, mas nem sempre, e temos um porquê. Como nome mais científico, temos: massa encefálica. Fálica. Tá explicado. Sem mais.

#58