quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Saia DISTO!


Se você quer isto, determinadamente isto,
Dificilmente você irá querer aquilo.
Se isto está em sua cabeça,
Provavelmente aquilo não caberá.
Se isto te segura,
Acho que aquilo não irá te soltar.
Se isto invadiu teu ser
Absolutamente aquilo não fará esquecer.

Convenhamos, tempo...
O senhor passa que é uma beleza
Por que não leva contigo isto,
E traz aquilo?
Vai que né?
Algumas coisas precisam ser mudadas
To cansada do sentimento mesmice...
Mas eu sei que dificilmente vou querer aquilo
Se isto me aflige.

Convenhamos, tempo...
Ponha um basta.
Acabe com isso logo de uma vez.
Leve isto consigo,
Eu já não aguento mais.
Leve minha insensatez,
E devolva minha paz.
#85

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Oásis


De longe eu vejo tudo,
Ou penso que é tudo,
Quando é nada.
Do melhor camarote que eu paguei para ver,
E eu quis ver,
Que tudo não passava de mera farsa,
Mera suposição minha.
Simples invenção,
Imagem holográfica
Que minha vista encarregou de fazer.
Mas para mim
Agora, acho que tanto faz.
Porque,
Eu já nem sei mais.
#82

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Cúmulo


Minha vida deve estar bem interessante aos olhos dos outros. 

Não entendo qual é a graça de cuidar da vida alheia. Vamos fazer um minuto de reflexão... É hipocrisia dizer que nunca se comenta da vida de alguém, afinal vivemos em comunidade, um faz parte da vida do outro, assim como muitas pessoas fazem parte da minha... Agora o que tem de gente que só sabe inventar coisas sobre alguém, por palavras na boca dos outros, que interpreta tudo errado, é imensurável. Não faço nada de interessante, apenas do que é do meu agrado e para que eu seja alguém na vida e não preciso passar por cima de ninguém, nem cuidar da vida de terceiros... Afinal, eu já tenho a minha vida para cuidar, que por sinal, é cheia de altos e baixos e sonhos para correr atrás.
Está faltando muita louça para lavar e casa para limpar, trabalho para fazer... Sabe, falta ocupação para um "zé povinho" ai. Chego à conclusão que uma pessoa dessas pode se considerar um ser morto né, porque ao invés de viver sua própria vida, tem que meter o bedelho na vida dos outros, chega a ser ridículo. Sinal que não há nada de interessante para viver. Vá passar uma vassoura na tua calçada e deixa que da calçada da vizinha, cuida ela.
#80

terça-feira, 10 de junho de 2014

Seja bem-vinda de novo


Deus te escreveu
Em meio a melhor canção,
Assim, linda
Seja bem-vinda
De novo
De volta ao meu coração.

Joguei o sentimento pro alto
E essa gravidade acabou por me devolver
Acabou por me prender
A você.

Seus traços, sua voz,
O brilhos de seus olhos
Como você foi feita?
Curvas na sintonia mais perfeita
Em que a orquestra toca
Me toca
E toca mais uma vez
Na mais linda canção
Seja bem-vinda
De novo
De volta ao meu coração.

Como negar?
Como não me apaixonar?
De novo...
Havia um tempo entre nós
E cá entre nós
Não há tempo,
Suficiente a apartar.

Estava escrito
Como não lembrar?
Estava escrito
Então deixe estar...

Deus te escreveu
Em meio a melhor canção,
Assim, linda
Seja bem-vinda
De novo
De volta ao meu coração.
#79

quarta-feira, 28 de maio de 2014

"Eu finjo ter paciência"


Eu acho engraçado.
É tão incrível como as pessoas tem em mente um poder de destruição. É mais fácil passar para trás do que ajudar alguém a seguir em frente. É mais fácil soltar o peso nas costas do outro do que dividir as forças para não pesar para nenhum dos lados. Como é mais fácil criticar do que aconselhar. É muito mais fácil julgar do que procurar saber o que realmente se passa. É imensamente mais fácil apontar o dedo, do que dar um abraço...
Vem cá? Como você se sente? - Isso faz falta!
Acredito que se as pessoas, hoje em dia, se preocupassem mais umas com as outras, ou demonstrassem verdadeiramente o amor que dizem ter, haveriam mais pessoas "passando bem". Críticas construtivas, leva alguém a algum lugar bom, animam, empurram para frente. Críticas destrutivas, puxam para baixo, cansam. Fadigam. Vamos começar a entender, que certas coisas magoam, certas coisas acabam com as forças. A história de dar a volta por cima/chutar a pedra que está no caminho, olhar para a frente e seguir, cansa, assim como "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Se fazer de forte o tempo todo, acaba por acabar com a verdadeira fortaleza (foi por isso que tirei minha armadura). Então preste atenção: as palavras doem muito mais que um tapa na cara, ou um chute no saco. Use elas da maneira correta. Selecione-as cuidadosamente, para que elas cheguem aos ouvidos de alguém, de uma maneira boa; e também, atenha-se para que você não caia, talvez, na hipocrisia.
#78

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Desta vez, de verdade, eu sinto.


Sinto uma paz
Que há muito não sentia.
Acho que agora estou pronta...
Para partir?
Só se for para a luta.
Pronta para mais uma vez
Recomeçar.
Recomeçar, mesmo,
Não só apenas na escrita.
Respirar novos ares,
Destes, eu sentia saudade.
Hoje é outra segunda,
Só que com muito mais a oferecer,
Mais garra para continuar,
Pois hoje sinto uma paz
Que há muito não sentia.
Eu sou.
Estou.
Pronta para mais uma vez
Recomeçar.
#76

terça-feira, 6 de maio de 2014

Loucura do meio dia


Eu crio pseudônimos; com cada palavra jogada ao vento, eu junto e crio versos, e de versos, poesia, mesmo depois de um ou dois copos. As palavras, cada uma tem sua intensidade, sua cor, seu gosto, seu som, sua escrita. Naquela madrugada, eu guardei todas aqui dentro e não consigo achar o botão de delete, assim como você encontrou tão rápido. Desde então, passo a organizá-las e fazer rimas, como distração. O poeta escreve suas dores, alegrias, sentimentos. Mas como não sou poeta escrevo e descrevo esse meu vazio, tão cheio de nada, cheio de muito. As vezes, nada a oferecer e muito a se chorar. Se as lágrimas são tão vazias quanto o que eu sinto, elas estão cheias, preenchendo meus olhos. Só. Só o que eu tenho a oferecer, no momento. Fortaleza, por fora. Então eu decidi quebrar esse concreto que me envolve. A capa que eu mesma criei; tirar a armadura, e deixar que vaze esse vazio, tão cheio de tudo, tão cheio de nada. E quando eu me recriar, me recompor, assumo um novo pseudônimo. Retomo meu fio. Só que ao me olhar no espelho, com os olhos inchados, sou a mesma, por enquanto sou a mesma. Mas não quero ser a mesma. Mudanças, quero encher o caminhão. E que fique na casa velha, tudo o que bateu a porta, entrou de mansinho e fez uma zona lá dentro. Em meio à bagunça toda, e toda a papelada jogada ao chão, pego em meus braços só o que eu quero levar, o que eu aguento levar, o que vale a pena fazer esforço para carregar. Móveis novos, dão à casa nova, uma nova cara. Só o coração, que em meio a tantos móveis, se torna imóvel, preso a mim, sem ser a casa. Ô coração... Se eu não posso lhe arrancar de mim, onde é que fica o botão de reset? Um dia eu encontro, e assim poderei respirar um ar puro, em minha casa nova, com meu novo nome. Ah... eu vou.
#74


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Para frente


E naquela segunda...
Tomou seu fôlego;
Tirou suas meias
Para viver inteiramente.
Trocou seus sapatos velhos
Firmou seu pé no chão,
Embora a mente quisesse planar.
Foi realista, se sentiu otimista
Focou sua vista.

E para ela é assim:
Se está decido,
Decidido está.
E naquela segunda...
Tomou seu fôlego;
Tirou suas meias
Para viver inteiramente.
Ela não gosta de meios,
Gosta de cada parte,
Por inteiro.

Respirou fundo, ergueu a cabeça
"Recomeçar,
E quem quiser que me acompanhe,
Porque não vou mais esperar
Vontades alheias,
Fazer o que der na telha,
Cansei de pensar só,
Ser as partes só."

Engatou a primeira,
"Hoje é um novo dia.
Todo dia é um novo dia."
#72

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Achei que bastaria


Traga-me
Um instante
Uma lembrança
Uma memória
Só um trago.
Um só.
E eu me recomponho
No momento.
Só.
#70

segunda-feira, 24 de março de 2014

Acenando...


Eu não sei bem se passa
Ou não
Mas dessa praça
Perdi meu chão.
Foi-se...

Disse que ia ali,
Mas voltava.
Beijou-me a testa
Contornou-me com teus braços
Abraço.
Deu meia volta
E sumiu no horizonte.
Isso foi ontem,
Há algum tempo.
Foi-se com o vento,
Naquela praça,
Em meio a massa...
Hoje choro,
Mas tudo passa.
#68


quinta-feira, 20 de março de 2014

"Falador passa mal, rapaz!"


Essa sociedade!
Até quando vão nos impor limites?
Até quando vão nos impedir de voar?
Ou simplesmente sonhar?

Pessoas te julgam a todo momento,
Sem saber do teu pensamento.
Eles te prendem pelo que você é
E você tem medo do viver.

Ai eu me pergunto:
- Por que ter um preconceito?
Todos tem direito de viver
Da maneira que bem escolher.
Por que ao invés de acusar?
Tu não tentas entender?

Conquistamos a liberdade.
Uma salva de palmas!
Liberdade falsa, liberdade nula,
Então pare de se cobrar por essa "tal de sociedade!
E não abaixe a cabeça para nenhum filho da p[...].
#65

terça-feira, 18 de março de 2014

Confinamento próprio


Me tortura sem saber.
Me tortura de tal forma
Mesmo sem querer.
(Ou por querer
Prefiro acreditar que não)
Elas coçam...
Preciso amarrar minhas mãos
Saber dizer um não.
Mas meu corpo vai
Minha mente vai
Minhas palavras saem
E eu mal posso responder por mim.

Quanto mais,
Você dizer que sim.
(puff)
#65

quinta-feira, 13 de março de 2014

atrás não traz


Éramos ímpar
Hoje somos duas
Duas estradas, dois caminhos,
Saindo da estaca zero.
Olhar para trás, sentimentos
Opostos, postos em cheque
Mas prefiro assim
Você ai
E eu aqui
E deixe que eu cuido de mim.

#64

Maybe


E de repente tudo está indo tão bem...
Bem do jeito que eu não queria.

E é assim que eu me sinto
Não sentindo nada
Nada além de tudo que eu já sinto.

E é como não lembrar
Daquilo que eu jamais quis dizer
Que não queria recordar.
Poque, por mais que seja mau,
Memórias, lembranças, o caminhar
Sempre se tem algo a deixar.
Não pode esquecer,
Mas sem querer reviver.

Mas sinto medo,
Aquele medo de já não mais sentir medo
De já não sentir aquele frio na barriga
Porque se é esse o sentido,
E se não se sente
Perde-se o sentido, proporcionalmente

E de repente tudo está indo tão bem...
Bem do jeito que eu não queria.

Talvez não seja só isso
Talvez não seja o eixo
Talvez não deva ser o foco
Talvez não seja o centro
Talvez, talvez, talvez

É só relativismo
Do que a alma sente e pressente
Do que o coração mente
E acaba com a gente.
Com o que que deveria ser
Realmente,
No presente.
#63

quarta-feira, 12 de março de 2014

Não é necessário


O dom de não saber me descrever
nem em linhas, largas, falas
nem em línguas, meras palavras
Apenas um poço de interrogação
Apenas um cantinho de ilusão
Com um toque de esperanças
Tal como aquelas, de uma criança
Vontade de ter asas, e voar, pra bem longe, e apenas observar, tudo, tudinho la de cima, de uma visão diferente, a qual eu nunca enxerguei. Talvez por ser um pouco egoísta e orgulhosa, quero enxergar apenas o que é visível aos olhos, e "sentível" pelo coração, e esqueço-me da real essência. Agitada como sou, tenho tido paradas constantes e repentinas, ao longo dos dias. Tenho cansado fácil, querendo apenas encostar, talvez em uma parede qualquer para que eu não perca o equilíbrio - ou só encostar no teu colo, já basta! - ... Essas pausas, acabam comigo, os ombros pesam, a cabeça pesa. Irritada, um pouco. Grossa, também. Mas isso é só reflexo das energias negativas que eu mesma deposito em algo que não se saiu como eu queria. Eu tiro exemplos, e faço bom proveito das coisas ruins que me acontecem, ou passam pela cabeça, com certeza, pois acredito que são delas mesmas que se saem "boas morais da história", porém é inevitável minha "fúriazinha" e acabo descontando até em quem não tem nada a ver com a história. Emburro. Minha estupidez também deve-se ao fato de muitas vezes ser mandona e turrona, principalmente quando eu tenho plena certeza da razão. Quando não a tenho, a persuasão entra em jogo, o que depende muito da situação também, e das pessoas. Porque umas colam, outras, não adianta nem pensar em tentar. O olho no olho, conta muito. A linguagem corporal é elemento fundamental. E ao mesmo tempo que ela me ajuda, ela me denuncia, por muitas vezes. Tá faltando treinamento para a saída de situações que acontecem de repente, para a resposta de perguntas diretas e inconvenientes, feitas por pessoas inconvenientes ou stalkers. Para me livrar de tudo, fugir um pouco do mundo, escrever e dançar são essenciais. Eu diria ouvir música, mas muita música só me faz voltar, tenho uma memória fotográfica muito boa, porém fálica. Sim, consegue, ela consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo. E por quê? Porque ela poderia me ajudar mais, por exemplo, na hora de uma prova, e esquecer-se quando ligo a música e só quero relaxar em minha cama... Os pensamentos vêm. Pensamentos desorganizados, assim como meu guarda-roupa, e a vida (?). É certo que a medida em que você vai amadurecendo um pouco, você vai se tornando um pouco mais organizada. No meu caso, em partes. Mas eu consigo me entender, em partes, em acho. Gosto das coisas do meu jeito, mas também sei ouvir. Talvez por ouvir demais, acabo por pensar em mim de menos, mas isso também não me faz ser menos egoísta. E não sei se isso é considerado defeito, ou qualidade. Minha ansiedade me afeta, tanto emocionalmente como fisicamente. Ou diria que o emocional reflete no físico. Uma porque minha ansiedade por muitas vezes me deixou em situações onde não tive o controle do meu corpo, bem antes mesmo da tal situação. O dia se torna longo. Outra porque, nessa de ser ansiosa, desconto em massas, doces e afins. Venho sentindo o reflexo disso, já não é mais fase de crescimento, e sim de expansão. Ansiedade me define. Mentira, parte de mim. Boa parte. Sei que sou uma contradição ambulante e não sei se isso é bom ou ruim. "Um sentimento chamado, 'não sei, acho que sei lá, não tenho certeza'".
- Pronto, descrevi, quase sem querer. -
Ou não, com certeza não...
Tolice pensar assim, isso é só o início. Acredito que eu tenha muito mais aqui guardado, muito mais a ser passado, muito mais a ser mostrado. Porém, nem sei quantas palavras e linhas seriam necessárias, ou se só uma palavra bastaria. Nem tento entender, não tenho esse dom. Talvez um dia qual eu consiga me compreender, para depois me descrever. É... só assim... E provavelmente sei bem qual será esse dia.
Nunca...
E por incrível que pareça, eu gosto assim.
#62

segunda-feira, 10 de março de 2014

Perfeição


Sorriso, olhar e voz... E eu não preciso de mais nada, se os três elementos casarem, eu caso de enamorada. Sorriso, sim, porque para mim, é a curva mais linda, a mais perfeita, que alguém possa ter. O sorriso, esconde e revela coisas, ao mesmo tempo. Sorriso de canto da boca, mostrando as covinhas. Sorriso sem graça, sem praça. Sorriso de quem acaba de receber uma notícia boa. Sorriso, que quase sempre, entre as lágrimas, que vem para quebrar. Sorriso, seguido de uma gargalhada. Dois sorrisos, que juntinhos, pertinhos, se confundem um com o outro. Exclusivamente, aquele sorriso. Olhar, aquele, por cima do óculos, aquele também depois do ósculo, ou erguendo uma sobrancelha, mau, ótimo. Olhar, sim, porque pelo olhar enxerga-se a alma, por isso não dispenso uma conversa cara a cara, ali, presente. Exclusivamente, aquele olhar. Ah, e a voz... Ah... a voz. Não tem palavras que definam, uma boa voz. Principalmente aquela voz, brava, ou irônica. Aquela voz de quem quer mandar. E ao mesmo tempo, aquela voz macia, que te afaga. Aquela que te faz pedidos. Aquela que fala baixinho ao pé do ouvido. Aquela voz, aquele tom, as vezes rouca. Exclusivamente, aquela voz. 
Sorriso, olhar e voz... E eu não preciso de mais nada, se os três elementos casarem, eu caso de enamorada. Mas cadê? Me pergunto. Está bem ali, ou lá... depende do grau de otimismo. Queria poder dizer que o copo está meio cheio. Mas também não consigo para de fazer tempestade no mesmo copo.
#61

terça-feira, 4 de março de 2014

Sessentar


Sessenta
meia zero
Sessenta anos
Sessenta coisas para fazer
Sessenta dias sem chuva
trinta mais trinta
sessenta de quinta.
Cê senta e espera,
espera que aumenta
e acha que aguenta.
Cê senta e espera,
tende a piorar
quanto mais demorar.
E não vai mudar
nem voltar a ser como era.
Não adianta esperar...
#60

segunda-feira, 3 de março de 2014

Contrários-soirártnoC

É seco, é molhado
"Tô longe"; "Tô do lado"
Disposição; exaustão
Sonho; Realidade
Mentiras e verdades
Cérebro, coração...
"Tô com fome"; "Tô cheia"
Choro; Riso
Lágrimas; Sorriso
"Em pedaços"; "Por inteira"
Nojo; Beijo
"No breu, eu te vejo"
Com sono; Êxtase
"Querer não querer"
Frio e Calor
Ódio; Amor
Raiva; Carinho
Feliz; Sozinho
Repulsa; Abraço
Longe; Amasso
Ignorância; Compreensão
Rancor... Compaixão.
E assim como Camões,
Me sinto assim
Tim tim por tim tim
Paradoxo sem fim.
#59

domingo, 2 de março de 2014

Encéfaerro


Na minha aula de fisiologia, me peguei brisando em um curto fio de tempo. Falávamos sobre impulsos nervosos: de onde saem, para onde vão e onde atuam. É incrível, nosso corpo é feito milimetricamente perfeito para que funcione bem. Cada veia que transporta as minúsculas partículas de diversos nutrientes para que os trilhões de, também minusculas, células possam se manterem vivas, e nos manterem em pé, coincidentemente, vivendo. Cada neurônio com sua sinapse (umas afetadas, outras funcionam até demais de bem, mas nada de errado nisso), para mandar seus impulsos, para com que tudo se mova, indo para seu caminho certo, e fazendo tudo funcionar. E geralmente, quando quero levantar um braço, mexer uma perna, sou eu quem mando o comando para meu cérebro e este, em fração de segundos, faz a reação. Então pensei: de onde vem as emoções? Qual parte é essa que eu não tenho autonomia, que controla minhas emoções? Eu não escolho sentir. Fome, sede. Frio ou calor. Ódio ou amor. Tudo bem que eu não penso em piscar, de minuto em minuto, e meu corpo mesmo assim o faz. E meu coração bate, sem que eu precise pensar todos os segundos. Então...
Coração? Seria essa a parte? - Não, apesar dele disparar descontroladamente. - Estômago? - Não, mesmo o próprio me dando sintomas desenfreados. A pele.(?) - Negativo. Só porque ela demonstra com os arrepios? 
O cérebro.
Cérebro, sempre ele. Ele é o manda-chuva, parte do cérebro todas as ordens para que nosso corpo se locomova, sinta, reproduza, funcione... Tato, visão, paladar, olfato, audição... Já disse. Eu disse ser perfeito, mas nem sempre, e temos um porquê. Como nome mais científico, temos: massa encefálica. Fálica. Tá explicado. Sem mais.

#58

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

É melhor.


Pelo andar da carruagem
terei histórias para contar
muitas histórias...
....
Histórias para guardar
Principalmente para guardar.
...
Pensando bem
Histórias para guardar.
Porque não seria nada agradável
Uma tarde no parque
Embaixo das árvores
com os netos
fazendo, o que eu chamo de revelações...
Não, não seria.
É...
Histórias para guardar.
Melhor assim.

#57

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Dupla "estrisita"


Era para ser um dia como qualquer outro,
começo de semana,
monótono e cansativo.
Porém um pingo
é causa para a mudança de direção
nesse mundo louco.
E que loucura!
Chuva.
Não tenho muito o que declarar,
mas deixo claro que
não tinha nada claro
e que se eu pudesse
faria mil e uma vezes.
"Mas por quê não mil? Resume."
- Porque não me afeiçoo muito com o par.
E que fique no ar.
#56

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Mesmice


Ai você tenta não se importar... Finge que não escuta. Finge que não liga. Finge que tá tudo bem. Só que não dá. É engraçado como as coisas acontecem, como tem horas que a vida te coloca em situações para testar o quão forte você é. E você se sai bem (ou pensa que sim)... "ah, é fácil...", e por dentro você está querendo morrer, de raiva, de ódio, de decepção. 
É certo, que por decepção, a culpa realmente é minha. 
Li uma frase hoje, paródia de um clássico, a qual eu dou muitíssima razão.
- "Tu te torna eternamente decepcionado pelas expectativas que tu cultivas..."
Sim, eu sei realmente que o motivo de eu estar como estou é por responsabilidade minha mesmo. Eu é quem me importo demais com o que não deveria, porque eu sei que não vai mudar, que não tem conserto mesmo e isso já foi me provado, não só uma ou duas vezes. Mas sabe, chega uma hora que cansa. Que cansa mesmo. E você não tem mais vontade de se sentir forte, ou não tem fortaleza que esconda o que se sente.
Mais uma vez, respiro fundo, conto até 1 milhão, se necessário... Retomo minha fibra em pedaços, junto tudinho, calço minha face e "be strong, be strong, be strong". Ciclo sem fim.

#54

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Só que não mais


Poderia tecido, mas não foi
rasgou-se as roupas
silenciou-se os trouxas
eles não concretizaram.
"Pára!"
Poderia tecido
mas ela não queria
e naquele momento ela decidiu
de que roupa se vestir
de que panos se cobrir
descobrir.
Poderia tecido
mas ela não queria
Olhou bem nos olhos
no fundo dos olhos
enxergou sua alma
"não, não é isso que eu queria,
compreenda
e não me repreenda"
E ele na vontade
do que não era realidade
"poderia ter sido."

#53

Não dá.


Mãos atadas
Correntes
Cadeado
Algemas
Chave, porta, trinco
Tranca
Trancado.
Fecho, laço
Seguindo o mesmo passo
Mar? Como não?
Somos cada gota
Estamos no embalo
Para lá....
......E para cá
A onda leva, a onda traz
Tentando te mostrar que é incapaz
De lutar, de falar, de reclamar
De negar, de gritar
E eu digo:
Você tem a voz
E deve, e vai usar.
E não cruzar.
E não
"Deixe estar."
#52

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Infartinho.


Aí você tá de boa... Só ali, sentindo a brisa, refrescante. Ou sentada no sofá, espreguiçando, coçando os olhos. Ou então caminhando, sem rumo. Mas tá de boa. Ai, repentinamente, você vê determinada coisa. Toma um susto. Mini ataque cardíaco. Ai você tropeça, deixa cair o que tem na mão, a língua, a boca se atrapalham e você já nem sabe mais o que está falando, só que você também não consegue ficar quieta. Quem dera eu tivesse o controle de ficar quieta, quando estou nervosa. Parece que quanto mais as borboletas voam aqui no estômago, mais palavras eu despejo sem sentido. Não tenho mais o controle de minhas mãos, nem da escrita. Eu quero sair correndo dali, eu quero ficar ali.
O engraçado de tomar um susto, é que você não espera tomá-lo (aaah vá!). Mas tem algumas situações que você sabe que o negócio tá ali, você sabe onde encontrar e quando encontra, "toma um susto". Susto, sim, porque as pernas ficam bambas, o coração gela, a barriga borbulha. As mãos... aaah, elas tremem. E a língua enrola, quando mais você precisa dela. Em todos os sentidos. 
É... Eu, particularmente, acho que minhas linhas de expressão me condenam, quase sempre, quando não sou cara de pau. Mas levanto a cabeça, respiro fundo, sorrio e digo: Oi :) 
(mas isso não seria ser cara de pau?)
Parece besta, mas é tudo o que consigo fazer depois de um infarto desses. Porque num instante de um segundo, conseguem passar 10 a oitava coisas na minha cabeça. E olha, bota zero nisso. 
É um SMS (ou whatsapp, como preferir), alguém que dobra a esquina, um "encontrar na rua"... Tomo tantos... 
Mas, cá entre nós: tomar um sustinho, é bom demais....

#51

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Meio não convém



Meio louca
Cansada de meia boca
Beija-me com teus lábios inteiros
Envenena-me
Vive, vive em mim.
Dentro de mim
Fora de mim
Sem mais nem menos...
Eu quero é viver!
Ergam suas taças
Estiquem os braços
Beba a vida!
Isso tudo merece mais que um simples aplauso.
Sem meia boca
Louca
Beija-me com teus lábios inteiros.

#50

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Jogada


E dai você para por alguns segundos, olha para onde você está e pensa: "como posso ser tão idiota?" Ou melhor: "onde é que eu estou?". Fugas. Ja nem sei quantas. Ja estou cansada delas. Mas aí me aparece uma luz, meio vermelha, meio ruiva. "Eu mereço..."  Devo merecer... mas é a vida. Um dia a gente perde (o sentido), no outro a gente ganha (coisas a se pensar). E de verdade: quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece. Algo errado na proporção. Assim como há algo em pane aqui. Sem entendimento.

#49 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Tá faltando.


Eu já estou com saudade de sentir. E não é por acaso que o nome do blog é assim. Só que hoje venho em especial falar sobre o meu sentir, o qual eu sinto falta. Eu não lido bem com datas, porém sei que tem algum tempo. Tem algum tempo em que eu estou sentindo saudade de sentir, e por mais que eu peça, eu não consigo. Por mais que eu me concentre, eu sou incapaz. O que me deixa muito triste. É um vazio, inexplicável, tampouco consigo entender. As palavras entram, e não saem da minha mente. Palavras que entram pelos dois ouvidos, proferidas por diversas bocas, e tudo o que eu consigo fazer é tomá-las, "não, isso é bom..."; reorganizá-las, e passá-las para frente. Sem cor, brilho, ou amor. É bem aquela história, "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço"... No meu caso seria "faça o que eu digo, mas não pense o que eu penso.". Só que também, isso me faz pensar, que tudo o que sai de dentro de mim, são meras palavras, tão mais vazias, como penso que me sinto. Saudade de sentir como antes. Por mais que eu tente não pensar, algo martela em minha cabeça, toda vez que me ponho à disposição de algo bom. Sou fraca, quase sempre caio nessa. Mas o que também não tem explicação, é meu choro descontrolado quando estou frente a frente. Eu sento ali, e eu só tenho vontade de chorar, por todos as lágrimas engolidas quando eu tinha de estar sorrindo. Mas ali é meu lugar, onde eu posso desabar. Consigo sentir a paz. E ao mesmo tempo, a dúvida. Muitas coisas não tem feito o mesmo sentido de antes. Eu não consigo entender tal crise. Mas como me disseram: "você é humana, e isso tudo é um mistério, você não é a unica.". Tomei meu folego, me ajudou. Porém, apesar de ter tomado um ar, ainda estou vazia. Eu estou ali, bem ali no meio, muitas pessoas em minha volta, e tudo o que pareço ver/sentir, é que não vejo ninguém. Mania de querer abraçar tudo. O que não é bem uma mania, mas sim uma fuga do "só". Não consigo mandar, mas creio que ainda tenha uma solução, que ainda não me apareceu, mas tem. Só sei que me falta, falta algo. E por mais que eu pense que seja inexplicável, acho que hoje posso começar a compreender ao menos um pouco do que possa ser. Até mesmo porque se me perguntarem "o que isso representa para você hoje?...", confesso que não saberia responder. E eu quero... do tipo, eu odeio essas perguntas sem respostas. Está consumindo.

#48

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

É melhor nem tentar...



Respiração... Você não pensa muito para fazê-la. Já é mecanizado, foi feito para ser assim. Involuntário. E sem ela você não vive. Bem como outras coisas que o mundo sente e quase sempre sem querer. Eu não escolho quando quero ter fome ou frio. Ou calor. E se eu tenho o alimento, por que não devorá-lo para saciar minha fome? Se tenho frio, por que não pegar o cobertor que está ao meu alcance? Ou abrir uma janela em dias quentes? É que, apesar de involuntário, eu ando tendo preguiça de sentir, quase que até de respirar. Para mim, é sempre a mesma monotonia, as mesmas notas ecoando, toda vez. Cansada de mãos atadas, conformada que não há nada que eu possa fazer, então a preguiça reina. Preguiça de pensar e, também, e sim, de sentir. Por isso que não procuro entender mais nada. Pra mim, essa coisa toda de respirar não é segredo, apenas acontece e não cabe a nós, meros mortais, tentarmos entender isso. É algo que vai além da compreensão. E ficar tentando desvendar o enigma, só frita o cérebro, e acaba com os neurônios. Perdida, talvez. E apesar de ser uma pessoa confusa, gosto de estar assim, de uma certa forma, porque não tendo certezas, é menos perigo para cortar os pulsos. Prefiro assim. E essa preguiça me faz olhar para as situações e enxergá-las de uma maneira diferente, talvez melhor. E me faz também, não querer me meter na parada. Tudo bem que, sendo de natureza a curiosidade presente em mim, acabo sempre revirando o que não devo. "Fuçando no que não é da minha conta". A carne é fraca. E não me venha com ladainha de que a "carne só é fraca, porque o caráter não é forte". Atire a primeira pedra quem não passa por situações, condições e afins, onde a carne realmente é fraca. ... Ouço o silêncio. Nenhuma manifestação. Assim como quero minha alma.

... Entender? Sem condições.

#47