terça-feira, 6 de maio de 2014

Loucura do meio dia


Eu crio pseudônimos; com cada palavra jogada ao vento, eu junto e crio versos, e de versos, poesia, mesmo depois de um ou dois copos. As palavras, cada uma tem sua intensidade, sua cor, seu gosto, seu som, sua escrita. Naquela madrugada, eu guardei todas aqui dentro e não consigo achar o botão de delete, assim como você encontrou tão rápido. Desde então, passo a organizá-las e fazer rimas, como distração. O poeta escreve suas dores, alegrias, sentimentos. Mas como não sou poeta escrevo e descrevo esse meu vazio, tão cheio de nada, cheio de muito. As vezes, nada a oferecer e muito a se chorar. Se as lágrimas são tão vazias quanto o que eu sinto, elas estão cheias, preenchendo meus olhos. Só. Só o que eu tenho a oferecer, no momento. Fortaleza, por fora. Então eu decidi quebrar esse concreto que me envolve. A capa que eu mesma criei; tirar a armadura, e deixar que vaze esse vazio, tão cheio de tudo, tão cheio de nada. E quando eu me recriar, me recompor, assumo um novo pseudônimo. Retomo meu fio. Só que ao me olhar no espelho, com os olhos inchados, sou a mesma, por enquanto sou a mesma. Mas não quero ser a mesma. Mudanças, quero encher o caminhão. E que fique na casa velha, tudo o que bateu a porta, entrou de mansinho e fez uma zona lá dentro. Em meio à bagunça toda, e toda a papelada jogada ao chão, pego em meus braços só o que eu quero levar, o que eu aguento levar, o que vale a pena fazer esforço para carregar. Móveis novos, dão à casa nova, uma nova cara. Só o coração, que em meio a tantos móveis, se torna imóvel, preso a mim, sem ser a casa. Ô coração... Se eu não posso lhe arrancar de mim, onde é que fica o botão de reset? Um dia eu encontro, e assim poderei respirar um ar puro, em minha casa nova, com meu novo nome. Ah... eu vou.
#74


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