O dom de não saber me descrever
nem em linhas, largas, falas
nem em línguas, meras palavras
Apenas um poço de interrogação
Apenas um cantinho de ilusão
Com um toque de esperanças
Tal como aquelas, de uma criança
Vontade de ter asas, e voar, pra bem longe, e apenas observar, tudo, tudinho la de cima, de uma visão diferente, a qual eu nunca enxerguei. Talvez por ser um pouco egoísta e orgulhosa, quero enxergar apenas o que é visível aos olhos, e "sentível" pelo coração, e esqueço-me da real essência. Agitada como sou, tenho tido paradas constantes e repentinas, ao longo dos dias. Tenho cansado fácil, querendo apenas encostar, talvez em uma parede qualquer para que eu não perca o equilíbrio - ou só encostar no teu colo, já basta! - ... Essas pausas, acabam comigo, os ombros pesam, a cabeça pesa. Irritada, um pouco. Grossa, também. Mas isso é só reflexo das energias negativas que eu mesma deposito em algo que não se saiu como eu queria. Eu tiro exemplos, e faço bom proveito das coisas ruins que me acontecem, ou passam pela cabeça, com certeza, pois acredito que são delas mesmas que se saem "boas morais da história", porém é inevitável minha "fúriazinha" e acabo descontando até em quem não tem nada a ver com a história. Emburro. Minha estupidez também deve-se ao fato de muitas vezes ser mandona e turrona, principalmente quando eu tenho plena certeza da razão. Quando não a tenho, a persuasão entra em jogo, o que depende muito da situação também, e das pessoas. Porque umas colam, outras, não adianta nem pensar em tentar. O olho no olho, conta muito. A linguagem corporal é elemento fundamental. E ao mesmo tempo que ela me ajuda, ela me denuncia, por muitas vezes. Tá faltando treinamento para a saída de situações que acontecem de repente, para a resposta de perguntas diretas e inconvenientes, feitas por pessoas inconvenientes ou stalkers. Para me livrar de tudo, fugir um pouco do mundo, escrever e dançar são essenciais. Eu diria ouvir música, mas muita música só me faz voltar, tenho uma memória fotográfica muito boa, porém fálica. Sim, consegue, ela consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo. E por quê? Porque ela poderia me ajudar mais, por exemplo, na hora de uma prova, e esquecer-se quando ligo a música e só quero relaxar em minha cama... Os pensamentos vêm. Pensamentos desorganizados, assim como meu guarda-roupa, e a vida (?). É certo que a medida em que você vai amadurecendo um pouco, você vai se tornando um pouco mais organizada. No meu caso, em partes. Mas eu consigo me entender, em partes, em acho. Gosto das coisas do meu jeito, mas também sei ouvir. Talvez por ouvir demais, acabo por pensar em mim de menos, mas isso também não me faz ser menos egoísta. E não sei se isso é considerado defeito, ou qualidade. Minha ansiedade me afeta, tanto emocionalmente como fisicamente. Ou diria que o emocional reflete no físico. Uma porque minha ansiedade por muitas vezes me deixou em situações onde não tive o controle do meu corpo, bem antes mesmo da tal situação. O dia se torna longo. Outra porque, nessa de ser ansiosa, desconto em massas, doces e afins. Venho sentindo o reflexo disso, já não é mais fase de crescimento, e sim de expansão. Ansiedade me define. Mentira, parte de mim. Boa parte. Sei que sou uma contradição ambulante e não sei se isso é bom ou ruim. "Um sentimento chamado, 'não sei, acho que sei lá, não tenho certeza'".
- Pronto, descrevi, quase sem querer. -
Ou não, com certeza não...
Tolice pensar assim, isso é só o início. Acredito que eu tenha muito mais aqui guardado, muito mais a ser passado, muito mais a ser mostrado. Porém, nem sei quantas palavras e linhas seriam necessárias, ou se só uma palavra bastaria. Nem tento entender, não tenho esse dom. Talvez um dia qual eu consiga me compreender, para depois me descrever. É... só assim... E provavelmente sei bem qual será esse dia.
Nunca...
E por incrível que pareça, eu gosto assim.
#62
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